A garrafa e as borbulhas
chamam o bebado pelo gargalo:
- Vem cá, meu belo,
vem beber-me as bolhas.
Lá vai o trolha,
afogar-se num mar de cerveja
e navegar na placidez da aguardente.
Sai a tropeçar,
isso as garrafas não disseram,
que a rua girava e a mão não responderia.
Cai na calçada do bêbado
e esta lhe rouba três dentes.
O sol o acorda, com o toque ardente
no pescoço, o sol vai alto.
A pessoas lhe soltam um mar
de impropérios sussurados.
Agora a cabeça é bigorna.
Volta para a toca
a esconder-se da luz.