O senhor Verderramo
foi um feliz petiz
nos seus verdes anos.
Crescido, foi ao largo São Francisco
e saiu doutor e bacharel;
começou aí a doer-lhe o menisco.
Ah, o senhor Verderramo!
que homem arrogante,
insuportável.
Mas e a pressão?
Doze por nove, quatorze por dez,
ficou instável,
quem o diria?
Um dia, no tribunal,
depois de brigar com a esposa,
o senhor Verderramo
- doutor, professor
e sodomita nas horas vagas -
sentiu-se mal.
O senhor Verderramo
morreu de derrame,
coisa tão corriqueira, trivial.
Atônitos seus estudantes,
lívidos os seus familiares.
Os colegas de faculdade e tribunal
fizeram uma vaquinha,
compraram uma coroa para o funeral.
Pagaram um anúncio
com o nome do senhor Verderramo
no necrológio
do tido melhor jornal.
Só não disseram
dos seus casos escusos.
1 Comentário
Junho 13, 2008 ás 6:30 pm
Muy bien…